Compositor: Diego Monteiro do Nascimento
Berço de concreto, mamãe rezou mas noites frias se mantiveram
Buracos de bala em caixas de correio, histórias deixadas sem contar
Fome nas minhas costelas, sirenes cantam canções de ninar
Vi um irmão desvanecer, fechei seus jovens olhos
O ódio fermentou nos cantos da minha mente
Bolso cheio de bobagens, vazio na labuta
Às vezes provei a escuridão, fome pela matança
Senti o impulso de tomar o que é meu, deixar as ruas pagarem a conta
Mas tranquei essa lâmina dentro do meu peito, recusei essa rota
Escolhi cuspir minha vida em versos, deixar minha dor falar
Do gueto ao topo, estou escalando em meu nome
Feito de cinzas e luta, erguendo-me da chama
Eu poderia ter vendido minha alma por dinheiro, poderia ter trilhado o aço e a podridão
Mas mantive meu coração santo, veja-me superar o quarteirão
Deus segurou minha mão quando as noites eram frias e escuras
Agora o microfone é meu reino, e estou reivindicando minha marca
Madrugadas, caderno cheio de sangue e sonhos quebrados
Caneta sangrando verdade, construí minha vida de gritos silenciosos
Vizinhos sussurram maldições, o concreto me ensinou que a confiança é rara
Vi amigos virarem inimigos, senti o olhar cortante
Tentações na esquina cantando promessas de ouro
Soluções rápidas para a fome, histórias compradas e vendidas
Senti o desejo de roubar o destino de volta, para equilibrar as contas
Mas escolhi o estúdio, não a lâmina, as letras abriram portas
Trabalhando dia e noite, cada linha uma pedra que coloco
Tijolo por tijolo estou saindo deste espaço frio e odiado
Do gueto ao topo, estou escalando em meu nome
Feito de cinzas e luta, erguendo-me da chama
Eu poderia ter vendido minha alma por dinheiro, poderia ter trilhado o aço e a podridão
Mas mantive meu coração santo, veja-me superar o quarteirão
Deus segurou minha mão quando as noites eram frias e escuras
Agora o microfone é meu reino, e estou reivindicando minha marca
Disseram que a sobrevivência é selvagem, que o amor não tem chance
Mas dancei com anjos quebrados e transformei dor em atitude
Cada cicatriz uma lição, cada perda uma melodia
Oração pela manhã, labuta no fim da tarde
Reconhecido por alguém que viu a fome nos meus olhos
Deu-me luz, deu-me um palco, deixou minha verdade batizar
Chega de ameaças à meia-noite, chega de punhos para lutar
Encontrei minha arma nas palavras, agora almejo a luz
Olha, o horizonte brilha onde sonhávamos na chuva
Chega de nomes no concreto, chega de contar vergonha
Eu represento o quarteirão, mas escapei da espiral e da armadilha
Transformei a garrafa em ritmo, transformei a dor em rap
O dinheiro veio, mas não o tipo que mata a alma
A fama veio devagar, o respeito é a taxa que me completou
Orgulho da favela nas minhas veias, mas misericórdia na minha fala
Graça de Deus no refrão, sucesso ao meu alcance
Agora apontam e acenam como se me conhecessem há muito tempo
Mas lembro dos becos e das noites que jurei que não mais
Do gueto ao topo, estou escalando em meu nome
Feito de cinzas e luta, erguendo-me da chama
Eu poderia ter vendido minha alma por dinheiro, poderia ter trilhado o aço e a podridão
Mas mantive meu coração santo, veja-me superar o quarteirão
Deus segurou minha mão quando as noites eram frias e escuras
Agora o microfone é meu reino, e estou reivindicando minha marca
Isso é para aqueles que têm fome mas ainda mantêm a esperança viva
Para as crianças que veem a arma mas ainda decidem lutar
Eu me ergui do concreto, venci o coro da noite
Agora eu faço rap pela liberdade, agora eu faço rap pela luz